segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Skap revisitado



Você me faz parecer menos só
menos sozinha
Você me faz parecer menos pó
menos pozinho
Quando você pinta tinta nessa tela cinza
Quando você passa doce dessa fruta passa
Quando você fala bala no meu velho oeste
Quando você dança lança flecha estilingue
Quando você olha molha meu olho que não crê
Quando você diz o que ninguém diz
Quando você quer o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde alardeia a sua teia cheia de ardis
Quando você faz a minha carne triste quase feliz...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Toque


Esse jeito de tentar se aproximar timidamente e com orgulho para me beijar me comove bastante. Sempre soube que essa mistura de timidez e orgulho refletiram em seus olhos mórbidos, ou às vezes, iminentemente transbordantes...
Mas tive certeza desse sentimento híbrido quando, no dia em que ainda não conseguira beijar-me pela primeira vez, tocou o seu dedo indicador em meu lábio - Indicador de maciez, doçura e parecia indicar que tocava também minha alma. O mais interessante foi que naquele dia não nos beijamos realmente. E aquele gesto para ele foi como se bastasse e não precisasse mais de nada para seguir pra casa, pois carregava consigo sabiamente a minha alma, calma e nesse momento já adestrada pelo gesto de sua mão macia.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Figuras da pobreza urbana


A aparência bastante desgastada, assim como os chinelos que calçavam os seus dedos sujos e com as unhas grandes. A perna com um aleijo. Dentes já não tinha mais. Cabelo grande e a certeza de que terminaria o dia com algum trocado que desse ao menos para a cachaça.

Mas os seus olhos brilhavam ao pedir a esmola, como se fosse um subordinado de todos aqueles que passavam em suas correrias cotidianas: - Por Deus. Não apelou sequer uma vez para a arte de roubar, achava errado, princípio que aprendeu com a disciplina das ruas desde a infância...

Mal sabe ele que por Deus, flagelo assim, não aconteceria com humano algum na terra.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Como um cigarro


Como um cigarro, alivia, passa o enjôo e dá uma leve sensação de prazer, mas como havia dito: leve sensação. Os prazeres da vida são ilusórios e curtos demais para o tempo que é gasto com estresse. Passamos a vida inteira achando que ela é uma caixa em formato de coração que quando alguém abre temos a sensação de que estamos bem.

Mas os prazeres da vida são tão ilusórios...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Carpe Diem


Naquele dia tirou fotos, sorriu, brincou, e, enfim aproveitou o dia.

O short jeans, o qual sempre a via com ele, e a mania de tirar fotos de tudo o que via, mesmo que fosse feio, ainda eram seus. Certamente algum motivo tinha para gostar tanto de tirar fotos. Faltavam poucos dias para realizar sonho de ficar noiva com a pessoa que tanto amava.

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Se ao menos alguém tivesse que se transportar para algum lugar que fosse naquele dia, se alguém tivesse dado sinal para aquele ônibus poucos segundos antes...

Mas o épico concretizou-se em sua vida.

No dia seguinte suas sandálias ainda estavam na calçada...